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O EPITÁFIO


Elder Ferreira

Pensei que era RExPA, mas era só debate político aberto ao público

O debate realizado nesta quarta-feira (14) na Universidade Federal do Pará (UFPA), organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), reuniu sete dos noves candidatos à prefeitura de Belém, a vice do candidato Lélio Costa (PC do B), Lia Menezes, e a ausência do Éder Mauro (PSD), o que trata bandido como bandido. Na ausência do delegado, que aparece em segundo nas pesquisas de intenção de votos, as tensões se estabeleceram entre os amarelinhos do Zenaldo, e os vermelhinhos do Edmilson. 

Uma amostra grátis das manifestações em favor do impeachment se localizava do lado direito do auditório. Em diversos momentos, os amarelinhos tiveram a atenção chamada pela bancada organizadora, que acabou penalizando o candidato Zenaldo pelo barulho e desordem dos seus militantes. Do lado esquerdo do auditório, ecoavam os "Fora Temer", os "golpistas" e as vaias ao então prefeito de Belém, que em alguns momentos também teve que esperar os gritos cessarem para que continuasse a sua fala. 

No lado mais direito da banca, Maneschy (PMDB) comentava sua biografia e tentava usar da experiência como reitor para deslanchar, ainda que o apoio da platéia a sua candidatura não parecesse vir exatamente dos universitários.

Zenaldo (PSDB) foi penalizado a rodo pela comissão do debate por causa da fan base, mas conseguiu emplacar alguns discursos calorosos que empolgaram sua militância amarelada, que também foi chamada atenção por estar ofendendo os responsáveis por conduzir o debate. 

Cleber Rabelo (PSTU) usou da sua experiência de vida como trabalhador para ganhar a simpatia do eleitor. Como proposta para melhorar a segurança da cidade, o candidato focou na melhoria da educação de base.

A melhoria da educação de base, através do incentivo a cultura, também foi uma das pautas da candidata Ursula Vidal (REDE), que durante o debate foi a candidata que mais focou nas suas propostas ao invés de se dedicar a lançar indiretas para os outros candidatos (o que também gosto de ouvir, não vou negar). 

Edmilson (PSOL) se destacou por seu comentário negativo quanto a legalização das drogas e por não ter tempo para se explicar. De imediato escutei atrás de mim: "já perdeu meu voto". O candidato do PSOL também lembrou dos seus antigos projetos e animou a esquerda (do auditório) que entoava um jingle político envolvendo "pai d'égua" que se perdia na gritaria.

A candidata do PT, Regina Barata, que até agora ainda acho que deveria ter apoiado a candidatura do Edmilson pela luta contra um mal ainda maior (você-sabe-quem), optou por usar sua carreira como defensora pública para destacar suas propostas contra a discriminação. Ao optar por trocar as vírgulas e pontos finais por vários "Fora Temer", a candidata levantou o auditório inúmeras vezes contra o atual (e não se sabe por mais quanto tempo) presidente do Brasil.

A vice do candidato Lelio Costa (PC do B), Lia Menezes, parecia um pouco perdida, embora tenha feito um cativante discurso sobre a situação das famílias remanejadas do entorno da orla do Portal da Amazônia. Como moradora da região e conhecedora dos problemas que afetam aquelas redondezas, a candidata a vice recebeu diversos aplausos no final da sua fala.

O professor Ivanildo (PRTB) chamou atenção pela proposta de geração de renda voltada para o turismo e a preservação do centro histórico de Belém. E porque falou que a honestidade é uma de suas melhores qualidades pois é cristão. Fica aí a reflexão.

Éder Mauro (PSD) nos deu o presente da sua ausência. Não sei, até o momento, o motivo de o candidato não ter aparecido no debate, mas acredito que a pluralidade de ideias presente no ambiente universitário não seria muito favorável aos seus discursos e, por isso, decidiu não participar, embora eu quisesse poder tê-lo visto respondendo as perguntas sobre discriminação de raça, cor e gênero.

Eu, que nunca presenciei debate político aberto ao público, senti-me privilegiado por participar dessa experiência, mas também frustrado por ter achado que sem querer tinha entrado na arquibancada do mangueirão para assistir um RExPA. Do meu lado, um segurança particular de um candidato amarelinho quase agrediu um militante da oposição. Na frente do palco alguém gritou "vagabunda" pra uma das candidatas. Nos dois lados do auditório, um coro de "coxinhas" e "mortadelas" entoava de um lado pro outro como num jogo de ping-pong, criando tensão ao debate (e muito calor - afinal, as centrais de ar estavam ligadas ou não?). 

O debate político eleitoral que se transformou em RExPA por causa da fan base me fez, por um momento, pensar que eu estava preso numa seção de comentários do G1 - e a sensação foi desesperadora.

E aos que não assistiram o debate aberto ao público, resta agora esperar o debate eleitoral que será transmitido no dia 29 de setembro pela Liberal - que, ao menos a nível de emoções, estou certo de que será bem mais contido.

2 comentários:

  1. A sua sensação não é nem um pouco equivocada e não acontece apenas esse momento. Lembro que as companhas para centro acadêmico, dce e mesmo direção de institutos e reitoria são do mesmo jeito. O que reina é "o meu é melhor", porque é dele simplesmente. Por que ele está imbuído de um sentimento de superioridade. Junte isso à falta de educação e respeito ao próximo e temos o espetáculo visto. E olha que eu acompanhei apenas pelo vídeo.

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  2. Excelente texto Elder e só posso dizer pelo que colocastes que falta mais maturidade ao nosso cidadão/eleitor/universitário até mesmo em dar espaço sem conturbar a fala do candidato contrário, pois afinal todos têm voz e vez. Me senti representada por você, adorei teu posicionamento e ponto e ponto de vista, queria muito ter ido, porém não grevei.

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