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O EPITÁFIO


Elder Ferreira

How to Read Literature Like a Professor - Thomas C. Foster

Título: How to Read Literatura Like a Professor

Título brasileiro: Para Ler Literatura Como um Professor

Autor: Thomas C. Foster

ISBN-13: 9780060009427 

ISBN-10: 006000942X 

Ano: 2003 

Páginas: 314

Idioma: inglês 

Editora: Harper Collins




Nas aulas de literatura, aprendemos a desvendar os mistérios das narrativas, decifrar os seus signos e a dar atenção ao tempo que habita no espaço em branco entre as palavras. Na primeira aula que tive da disciplina, larguei-me a dar interpretações para a música "O Segundo Sol" do Nando Reis, auxiliado por uma professora que até hoje me traz boas lembranças. A partir dessa experiência, fui me tornando algo como um detetive literário, buscando a todo momento os significados que residem além das palavras que se organizam em textos diante de nós. Em "How to Read Literature Like a Professor", o professor norte-americano Thomas C. Foster dá um curso intensivo de "literatura forense", explicando técnicas, recursos e mecanismos utilizados por escritores na elaboração de suas narrativas.

Thomas C. Foster é professor do departamento de Letras - Língua Inglesa da Universidade de Michigan, tendo ministrado cursos de ficção contemporânea, drama, poesia, escrita criativa e composição há mais de vinte anos na instituição. Das atividades com os alunos, discussões em sala de aula e debates com os estudantes, nasceu "How to Read Literature Like a Professor". Thomas escreveu uma obra que serve de guia para aqueles que, não tendo a oportunidade de participar de uma de suas aulas de literatura inglesa, querem aperfeiçoar a leitura das entrelinhas do texto literário, visto que compreender a literatura é entregar-se à reflexão que na maior parte do tempo reside além das palavras.

No primeiro capítulo, nos deparamos com o conceito de "quest", onde um personagem sai em uma jornada com uma razão aparente que esconde uma verdadeira razão, verdadeira razão essa que na maioria das vezes tem a ver com auto-conhecimento e a busca de si mesmo. Exemplos? Em "O Hobbit", a jornada de Bilbo é fundamental para ajudá-lo a entender que ele é mais corajoso do que imaginava. Em "Na Natureza Selvagem", Alexander Supertramp cruza os Estados Unidos para chegar à conclusão de que a felicidade só é real quando compartilhada. Rick Riodan, que utiliza o recurso de "quest" até demais na minha opinião, preencheu os seus best-sellers com jornadas: "Percy Jackson e os Olimpianos", "Os Heróis do Olimpo" e "As Crônicas dos Kane".

Em "How to Read Literature Like a Professor", o leitor também começa a ter uma noção de que praticamente todas as histórias que conhecemos possuem raízes na Bíblia, na mitologia greco-romana, nas obras de Shakespeare ou em histórias infantis como 'João & Maria'. Esse é o fenômeno metaliterário, onde ler é ter lido. A leitura cria ecos de outras leituras e um personagem nos lembra de outro, que nos lembra de outro e assim por diante. Um recurso narrativo ou uma descrição nos remete a outro romance. A frase curta e seca presente na obra que lemos nos lembra do tipo de frase de outro autor, fazendo com que cada leitura se mova numa constelação de leituras prévias. A partir de certa idade e carga literária que carregamos nas cotas, é sábio dizer que só relemos.

Ainda que o livro explique minuciosamente alguns recursos literários, é importante destacar que ler não é resolver uma palavra cruzada, mas sim encontrar um sentido no texto literário, sentido que pode se manifestar de diferentes formas para diferentes pessoas. Na literatura, nada e nem ninguém detém a última palavra. O papel do autor em "How to Read Literature Like a Professor" é de nos auxiliar na busca por esse sentido presente nas palavras. Direcionado a qualquer pessoa interessada na arte literária, a obra de Thomas Foster chegou ao Brasil sob o título de "Para Ler Literatura Como um Professor", sendo publicada pela editora Lua de Papel. Interessante (e talvez necessária?) para leitores e blogueiros literários iniciantes, a obra também é um passa tempo divertido para os leitores mais experientes.

2 comentários:

  1. Olá! =)
    (Resolvi comentar) Parece-me um livro bem interessante, que adicionarei a lista de leitura futura. Essa ideia de ser sempre uma releitura me faz pensar na interdiscursividade, em que cada discurso é criado a partir de outros e essas relações às vezes são tão interligadas que nos é impossível separá-las. Volta e meia ao ler lembro-me de outros livros, de outras conversas sobre o assunto... E isso é tão fascinante. *-*
    Recentemente li "Ferragus" (História dos Treze), do Balzac, em que há um jovem apaixonado por uma moça casada, e isso me lembrou bastante de "Os sofrimentos do jovem Werther", do Goethe, pois mesmo que haja diferenças, ambos são personagens cujos sentimentos se aproximam. E ambas as obras abordam questões parecidas também, aliás, como suicídio e como o trabalho molda as pessoas...
    Balzac é um escritor que cita muitos outros livros, o que deixa claro, a meu ver, essa questão de que tudo se faz tendo algo por base - até considero algo que nos direciona a outras leituras.
    Enfim, gostei de seu texto! ^^

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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