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O EPITÁFIO


Elder Ferreira

O Diário de Helga - Helga Weiss


Título: O Diário de Helga - O relato de uma menina sobre a vida em um campo de concentração

Título Original: Helga's diary - A Young Girl’s Account of Life in a Concentration Camp 

Autor(a): Helga Weiss

Editora: Intrínseca

Ano: 2013

Edição: 1

Páginas: 256


Os inúmeros relatos que temos sobre os campos de concentração foram, em sua grande parte, perpetuados pelas sutilezas do mundo artístico. Os livros narram momentos de terror, os filmes destacam a fúria primitiva  dos nazistas e outras diversas expressões artísticas retratam o que teria sido o Holocausto na Segunda Guerra Mundial. De alguma forma, essas obras acabam refletindo as experiências pessoais dos artistas que as conceberam. O Diário de Helga é uma dessas expressões artísticas e boa parte do seu conteúdo foi gerado durante sua estada nos campos de concentração. O livro, entretanto, não se detém apenas a narrativa escrita e algumas partes da história são relatadas por ilustrações feitas por Helga enquanto prisioneira dos alemães.

O Diário de Helga é uma compilação dos textos escritos por Helga Weiss durante o tempo em que ela passou nos campos de concentração. É comum histórias nessa temática na literatura, mas o grande diferencial do livro está na narrativa acontecendo sob a ótica de uma criança. Não há muita preocupação com estilo e, como a própria autora frisa nas primeiras páginas da obra, a redação é infantil e o estilo, prolixo, ingênuo. Helga, hoje com 84 anos, preocupou-se em mudar alguns trechos do diário antes que esse fosse publicado, mas ela afirma que nenhuma de suas alterações fez com que se perdesse a essência da obra.

O diário começou a ser escrito em 1938 (na cidade de Praga), quando o governo Tchecoslovaco declarou uma mobilização geral para um iminente estado de guerra. Em 1939, quando as tropas alemãs ocuparam a Tchecoslováquia, iniciou-se a perseguição aos judeus. Nas primeiras páginas do diário, consta a crescente ameaça nazista: os ataques aéreos, as prisões, a expulsão de crianças judias das escolas estaduais, os adultos perdendo seus empregos, as estrelas de David que os judeus eram obrigados a costurarem em suas vestes para que fossem facilmente identificados nas ruas e os temidos "transportes" que levavam com frequência grupos de judeus aos campos de concentração.

Em dezembro de 1941, logo após o aniversário de 12 anos de Helga, as autoridades alemãs convocaram a família a deixar a casa para que seguissem em um dos "transportes" para Terezín, uma espécie de cidade murada que servia como campo de concentração. Helga e sua mãe foram separadas de seu pai quando chegaram em Terezín. No campo, um dos primeiros desenhos de Helga foi um boneco de neve que ela mandou secretamente para o pai no alojamento masculino. Em resposta ao desenho, ele escreveu: "desenhe tudo o que vê!".


O diário retrata os martírios vividos por Helga e sua mãe em Terezín bem como nos outros campos de concentração por onde passaram. Entre as muitas dificuldades, estavam a de ter que dormir com duas ou três pessoas em uma cama em que mal cabia uma, estavam os dias sem alimento, o frio, a higiene escassa (a tal ponto que era necessário usar o pouco do café servido nas refeições para que pudessem se lavar) e o medo constante de que fossem levadas para as câmeras de gás sob o pretexto de que estavam sendo levadas para tomar banho.

O fim da guerra pode não estar longe, mas, mesmo que demore apenas uma semana, nosso fim chegará antes.

Helga foi uma das aproximadamente 100 crianças, das 15.000 que foram para o campo de concentração de Terezín, que sobreviveram ao Holocausto. Os seus relatos, mesmo que muitas vezes ingênuos, apresentam um constante desalento, um desânimo que parecia ser comum a todas as famílias nos campos. No final do livro, o leitor ainda é presenteado com uma entrevista realizada com Helga. Na entrevista ela revela alguns outros detalhes interessantes sobre a vida nos campos e fala sobre algo que poucas obras sobre a temática nazista falam: o que os judeus fizeram no pós-guerra. Helga conta das suas dificuldades, dos problemas encontrados ao retornar para a casa e como ela lutou para recuperar um pouco de sua vida que foi perdida nos campos de concentração.

O fato de Helga não ser nenhuma escritora profissional pode desagradar alguns, mas como na época ela era apenas uma criança externalizando o que sentia, sua narrativa pouco madura é completamente aceitável. O livro conta ainda com notas importantes do editor explicando o contexto histórico e um glossário no final para auxiliar na leitura e compreensão das muitas palavras alemãs utilizadas por Helga na escrita do diário. De uma leitura acessível, O Diário de Helga é um presente para quem é apaixonado por história e uma obra repleta de informações para quem procura saber mais sobre o Holocausto por intermédio da arte (seja esta em forma de texto ou ilustrações).

Nota: 4.5 corvos.


21 comentários:

  1. AMEI a resenha. Estou LOUCA pra ler ^^

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  2. Oi, Elder.

    Amei a resenha! Eu não conhecia esse livro, mas gostei bastante do enredo - apesar de já ter dito a você que não gosto de história sobre guerras - e do fato de a narradora ser criança, literalmente. Talvez a linguagem infantil suavize o horror dos campos de concentração e a angústia durante a leitura não seja tão grande quanto seria se a história fosse narrada por um adulto.

    Oh, você agora é parceiro da Intrínseca? Parabéns, menino! Essa é a editora que mais me faz gastar dinheiro. =)

    Beijos,

    Isie Fernandes - de Dai para Isie

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  3. Oi Elder!

    Obrigado pela visita *-*
    Adorei a resenha, amo essa parte da história, II Guerra Mundial. Acredito que ver o campo de concentração aos olhos de uma criança deve ter um impacto muito maior.

    Bjos
    www.roubandolivros.com

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  4. muito bacana sua resenha! alguns trechos me lembraram de "o diário de anne frank" e outros de "a menina que roubava livros", mas isso não é ruim... muito pelo contrário, me animou para ler o livro, já que essas duas obras anteriores são dois livros que eu amo muito.

    eu vi 'o diário de helga' na saraiva, nas últimas vezes que fui lá, mas não comprei... quem sabe eu compre agora :D

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  5. Oi Elder. Enquanto estava lendo já pensei em como é comum essa temática..e me deparei com o que vc escreveu: que é diferente, pois foi escrito sob os olhos de uma criança. Deve ser interessante por ter esse diferencial.
    Apenas lendo seu texto, o fato do pai ter escrito para ela desenhar aquilo que via, todas as condições que passaram...me arrepiou e deu uma forte emoção.
    Lamentável que eles tenham sofrido tanto...lamentável que milhares e milhares de pessoas hoje continuam sofrendo abusos violentos todos os dias!Eu gostaria que os autores denunciassem, de maneira delicada, em suas obras, os problemas de hoje, quem sabe mostrar ao mundo seria uma maneira de acender uma luz para essas pessoas que necessitam tanto de nós.
    Beijos de segunda para começar a semana bem!

    http://marlicarmenescritora.blogspot.com.br/

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  6. Eu já ouvi falar desse livro, mais nunca tinha lido uma resenha até agora.
    Parece ser bem interessante, me interessei =)
    Beijos
    http://souseuastral.blogspot.com.br/

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  7. Não me interessei muito por este livro, me parece cansativo! Porém, a capa é linda *-*
    Ótima resenha.
    Aah, respondendo sua pergunta na minha resenha, Uma Questão de Confiança tem como cenário Londres *---*
    Beijo

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  8. Oi Elder! Gosto muito de livros que tratam sobre temas históricos e esse tipo de escrita que você descreveu parece muito interessante. O ponto de vista de uma criança, imaginar como ela com tão pouca idade via tudo que estava acontecendo. Adorei a resenha.

    Beijos

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  9. Oi, tudo bom?
    Estou louca por esse livro, adoro esse tipo de tema...
    Obrigada por prestigiar minha coluna no Blog Refúgio das Palavras!
    Tem post novo no meu blog!
    Beijão
    endless-poem.blogspot.com.br

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  10. é parecido com o Diário de Anne Frank?

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    Respostas
    1. Eu nunca li O Diário de Anne Frank (mas já tá na lista de próximas leituras), mas até onde sei, O Diário de Anne Frank é mais denso e a escrita é bem madura (tanto que muita gente desconfiava que o diário não tivesse sido escrito por ela). No que tange a história, devem ter suas similaridades de acordo com as suas diferenças (deu pra entender isso que eu disse?).

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  11. Legal, não conhecia o lançamento. Parece ser bem triste, e sinceramente gosto muito de livros assim, que emocionam ao extremo.

    Abs

    http://tediosoc.blogspot.com

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  12. Essa paixão de Holywood e dos literatos pelo holocausto é, ao mesmo tempo, linda e complicada. Linda porque como qualquer acontecimento terrível deve ser registrado e usado como lição para o futuro, complicado porque as vezes fica parecendo que foi o único holocausto que aconteceu - enquanto outros, como o dos armênios e o presente genocídio de palestinos, jovens negros nas favelas etc são completamente esquecidos pela arte... Enfim, de qualquer maneira, o livro parece ser lindo. Tenho uma relação especial com diários de guerra, embora não os leia muito...

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  13. Nunca tinha visto esse livro, mas tenho vontade de ler. Não leio muito sobre esse assunto de guerra e nazistas, mas é um assunto triste, e ao mesmo tempo interessante de se saber mais.
    Beijos,

    Letícia
    http://www.odomdaescrita.com.br/

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  14. Oi Elder!
    Eu quando bati o olho na capa desse livro já fiquei curioso, mas não vi sinopse!
    Amei a resenha <3
    Eu sou fã de livros históricos, acho muito bom cada um que leio.
    Esse vai pra minhs lista, com certeza <3
    Já leu O Fio, da Victoria Hislop? É ótimo!!!
    Abç
    http://descobrindolivros.blogspot.com.br/

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    1. Que legal tu falares isso, acreditas que foi exatamente esse o livro que eu pedi pra Intrínseca depois de O Diário de Helga? Estou esperando ele essa semana. Já fiquei ansioso pra ler agora.

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  15. Parabéns pela sua resenha!
    Simplesmente perfeita, cheia de detalhes e despertou uma vontade ainda maior de ler esse livro!
    4.5 é suficiente para isso
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias
    Livroterapias+

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  16. Oi Elder.
    Eu não conhecia esse livro, aliás tenho conhecido mutos livros bacanas por aqui.
    Gosto de livros que retratam um pouco a guerra apesar de serem sempre densos.E acredito que esse por ser contado por uma criança deve ser muito emocionante.

    Obrigada pelas visitas ao blog.

    Beijos
    Leituras da Paty

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  17. Oi Elder!
    Gostei da sua resenha, mas acho que não tenho estômago para ler esse livro... Fico imaginando as coisas horríveis que a Helga presenciou.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  18. Olá!
    Fiquei muito curiosa para ler esse livro quando o vi. Tenho muito interesse em obras sobre a segunda guerra e esse parece ser um relato bem interessante para entender a realidade daquele tempo. Vou anotar a dica.
    Beijos,
    Niki - http://www.meigaemalefica.blogspot.com

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