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O EPITÁFIO


Elder Ferreira

Um desconhecido - Conto

Alguns minutos sozinho e me apresentaram o fascínio da noite. Essas horas que correm rápidas nos olhares ásperos a procura de seios e cobertor. Apresentaram-me o inferno esta noite, o inferno que mistura o fogo nos atos e frio nos momentos breves de timidez.
-Carlos, muito prazer!
Ignoro as falas e sinto uma vontade de não mais ignorá-las. Contrário a isto, quero deixar que falem, que me seduzam, acariciem meu ego e corpo sem pudor.
-Você está só?
A resposta não sai. Mais uma vez ignoro um rapaz carismático, mas desconhecido. E continuo andando por onde já andei, seja em sonho ou nas noites em que não tinha controle sobre os olfatos e tatos.
Alguém me agarra forte pelos cabelos e de imediato cerro os olhos. Evito acordá-los, afinal, quem estaria ali, pressionando-me tão minuciosamente? Fosse belo, simpático, ou algo longe de outros que ainda não tive, que continuasse sem me deixar descobrir sua identidade. Meu corpo dançava fora de qualquer ritmo. Sincronia e perfeição não faziam parte de mim. Tudo se repetia e continuava lúcido. Algum segundo de pausa, e não há surpresa, já estava só.

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