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O EPITÁFIO


Elder Ferreira

Pedrinho nas alturas - Conto

Cidade pequena em qualquer interior. Pedro acorda cedo, chama os pais e dá início ao dia. Comumente acostumado ao tradicional. Café de tarde, amigos pequenos e a voz áspera que lhe dita ordens. E nada de novo que não fosse velho, quando se tem imaginação se ganha o mundo. Alguns sonhos pequenos lhe ocupam o resto do dia. Vontade de conhecer o mar, desejo de ter mil petecas e de poder viajar até onde sua mente lhe permitir. Mas havia algo em especial que lhe consumia a atenção: a visão das alturas. E não poderia ser qualquer altura, tinha de ser alto, bastante alto, para que se visse o que persiste em cair e o que se mantém inóspito e inferior. A visão não importava; poderia ser homens, mato, bichos, gente morta. Do alto tudo era belo. Quando se está longe dos problemas as dificuldades parecem diminutas e a tristeza transforma momentos de caos em apenas um momento confortável.
Um dia quente e seu pai entra no casebre. Olha de forma rígida para a mulher. Esta percebe as palavras antes que elas existam, e exclama:
-Você não vai!
-Cala a boca mulher! Desde quando preciso de permissão para fazer o que quero? Grita o homem. Não teve muitos anseios esta criatura na infância. E agora, já adulto, não tem coragem. A voz grosseira e o olhar que não para servem para defesa, já que os pais hoje brindam com os vermes na terra. Cresceu sem amores, com exceção da mãe. Mas a velha era obrigada a amá-lo. Dever de mãe, como dever de um filho em amar quem o pariu. Deixou sua vida cedo, há décadas que a esqueceu para tomar a vida dos outros como sua.
-Como vamos ficar? Aqui, Pedrinho e eu?
-Com o dinheiro que mandarei da capital, já conversamos sobre isso, fico por pouco tempo, depois volto..., e nesta hora abraçou a mulher quase que afetuosamente, mas dispensou-lhe beijos.

E o homem viajou. O pouco tempo que disse ir ficar, foi pouco mesmo. Passado um ano a vida tornou-se melhor. Estava na casa de um amigo na cidade grande, o início foi difícil, mas é sempre assim, passado é passado e agora é agora, contava para mulher. Prometeu levar o filho para a urbanização, depois levaria quem mais faltasse. Pedro achou o pai mais alegre, saudável, vivo! Enquanto a mãe tinha desconfianças a cerca da fidelidade.
O menino e o pai foram. Passaram alguns dias por lá, enquanto a mãe era feliz com o pouco. Um dia, o pai não tendo com quem deixar o filho, levou-lhe para o trabalho. Logo que Pedrinho chegou era tudo fascínio. No primeiro andar ele se sentia o melhor homem do mundo. Alguns amigos do pai o elogiavam: “Que rapaz bonito!”. Mas o garoto não estava disposto a descobrir o ego para que o acariciassem, queria apenas subir. E subiram. Quinto andar e tudo já era gozo, mesmo que não soubesse a definição exata para a palavra, sabia que aquele era o melhor momento para poder usá-la. O pai deixou-lhe em um canto qualquer e começou o trabalho. Mas o jovem sabia que podia ir mais alto, e não resistiu. Subiu rapidamente por algumas escadas, pois elevador era complicado, e esforçou-se para continuar correndo. Chegou ao último andar. Encontrou uma porta com alguns escritos. Se pudesse lê-los, certamente os lia.
Abriu a porta e avistou uma reluzente janela. Aproximou-se vagarosamente com algum receio e debruçou-se nos braços do portal, como um ser apaixonado se debruça sobre o seio de seu amor. Uma sensação de esplendor explodiu-lhe o peito. Abriu os braços e contemplou a beleza. Se pudesse eternizaria o momento. Mas como eternizar o passageiro? Se pudéssemos tal proeza estaríamos todos estatizados. Não sabendo exatamente o que fazer e fascinado por sua visão, Pedrinho atirou-se para fora do ambiente e deixou seu corpo ser tragado pelo vento. Desde então, ele se tornou parte do que contemplava e história de mentes fantasiosas.

4 comentários:

  1. oi, elder! tava dando uma olhada no teu blog e gostei bastante, parabéns.
    adoro aquela música do the killers, bom gosto!
    beijocas!

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  2. Elder pode fazer um favor pra mim?? É que eu to sem net, e eu to entrando na faculdade eu fiz um post e queria um video da Lily Allen, Fock you, pra colocar no texto, tu podes me ajudar??? Porq na faculdade não dá pra entrar em certos sites, pega o video e coloca nos meus comentáriosss?? heinehien?? quebra esse galho. XD Abraços!!!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. ráá mas não é esse link tem um outro link que se poe em blog fica na parte direita da tela, em baixo do perfil da pessoa que postou o video. O link que tu me mandou não dá pra colocar no post. xD pode pegar o outro??? Ele é montruoso tem <@#$%¨&()PLDCVBNM<> algo semelhante. xD

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