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O EPITÁFIO


Elder Ferreira

Vulto - Conto

Eu a vi. Passava entre as pessoas desesperadamente. Seu rosto carregava mágoas. De quê?! Ainda não sabia. Queria aproximar meu corpo ao seu e oferecer-lhe ajuda. Mas a cada passo que dava deixava-me invisível e sem importância. De súbito parou. Senti o silêncio constrangedor. Interrompido apenas pelas fortes batidas de um coração. Olhou-me. Fiquei atônito. Não conseguia desvendar aquele estúpido mistério. Aquele vulto que há pouco me enlaçou em seu pranto e fez-me seu. Estava ali. Sem gestos, sorrisos, sem vida. Seus olhos escuros refletiam incerteza. O que afinal, aquele ser escondia em si. Seu olhar dócil e afetivo não passava ao mundo o que sem dúvida parecia estar sentindo. Eu a amei por um instante. E no mesmo instante a deixei de amar. Queria ficar ali, vendo aquele semblante que incrivelmente me hipnotizava. Míseros segundos daquele olhar foram-me suficientes para suprema excitação. Ouço uma voz. Alguém me chama. Pergunta as horas. “22h15min”. Viro meus olhos em direção aos dela. Não a vejo mais. Impetuoso a procuro. Sumiu! Como?! Não havia respostas. Além daquelas absurdas, quais eu tristemente evitava ouvir.

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