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O EPITÁFIO


Elder Ferreira

"Sem Título" - Conto

Deixo-te um pouco de paz. Deixo-te talvez até a guerra. Simplesmente deixo. Deixo meu corpo úmido a procura deste corpo teu. E junto de teu corpo guardo aventuras quais não me aventurei. Afinal o que queres? Fita-me com incerteza. Em desejos tu te afloras. Não encontro o que perdi em ti. Não encontro o que enlacei a mim. Quem és tu que me atormentas? Que tiras esse peso exacerbado que me toma o corpo? Fico aqui. Talvez ali. Pensamentos contundentes repassam e passam em mim. Tua ousadia infantil me deixa envergonhado. Sei que passas. E quando passas debalde tento te deter. Sinto vontade em te ter. E em te ter perco vontades. Por que me tomas? Teu complexo em asas me leva a outros destinos. Coisas reversas que tentei evitar. Lembra-te do dia? Creio que não. Sente falta das noites? Por que não me respondes? Sei que escondes lágrimas neste teu sorriso. Serves a mim, como o ar as aves. Contigo choro. Sem ti esqueço e vivo. Que é isso que me leva e arrasta vestes sujas pelo chão? Não fui o único. Não sou o último. Aqui em linhas escrevo o mundo. Um mundo que por ti se perde. Olhei e permaneço a olhar com veemência. Mesmo vendo em ti a imagem de nada. Sinto falta do que nunca tive. Perco os sentidos entre teu longo véu. E num afago anormal, meu corpo se enraivece quando te encontra. Para onde vais quando preciso de ti, e porque ininterruptamente tu vens a mim? Um dia, bem o creio, vencerei nosso orgulho.

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